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domingo, 13 de junho de 2010

A criação de um poder paralelo

Tenho acompanhado com preocupação um evento que está tomando conta na surdina da sociedade. A criação de um poder paralelo na sociedade que são as Guardas Municipais. O que me deixa preocupado de verdade é saber qual é o real poder que os guardas na sociedade? Estão empurrando isso de boca abaixo e nós, como sempre, estamos assistindo a mais uma covardia com a população.

Conversando com um amigo que faz parte desse “poder paralelo” fui informado que existem várias ocorrências que a guarda já está sendo acionada para atender, e que já se posicionam como os donos da vez. Isso é lamentável, pois um “civil” desses tem um treinamento de três meses, e não é um policial, mas tem agido como tal, e mais, é cada vez maior a presença desse pessoal nas ruas das capitais brasileiras.

Não acho justo, e sou contra a criação da força paralela. Isso esconde ainda mais a ação das policias militar e civil, os verdadeiros responsáveis pela gestão da segurança da população. Todo ano no estado de ES, mais de 1000 policiais são formados, mas não aparecem nas ruas. Estão aonde? Fazendo os papéis burocráticos? Temos que abrir o olho, pois da noite para o dia, o seu vizinho pode ser contemplado com uma farda e uma arma e querer te dar uma enquadrada. E isso pago por você, cidadão pagador de imposto.

Isso significa mais uma vez, a ineficiência do poder público e gerir suas atribuições explícitas na constituição. Assim como a nossa BR 101 que será privatizada, o mesmo está acontecendo com a segurança. Sou favorável aos agentes penitenciários, já que não estão atuando nas ruas e sim tomando conta de presos e sendo monitorados de perto pelo Estado. Agora colocar cidadãos na rua para cuidar da população, isso é demais. Não dá pra aceitar isso, mas infelizmente nossos governantes estão preocupados em criar leis com nomes de rua, dia disso dia daquilo, enquanto eu e você viramos reféns do sistema, como diria meu velho pai.

A burocratização da segurança é evidente. A PM está cada dia mais bem equipada pelo governo, porém isso não está aparecendo, não estão nas ruas, nos locais de perigo, simplesmente sumiram das ruas. E criar o poder paralelo, não é a melhor a opção, o mais eficiente e rever o sistema de segurança, abrir concursos para as policias e aí, sim entregar uma arma e dar o poder devido. Paralelo jamais, pois não somos cobaias. Guardas particulares em escolas, monumentos, sim e empresas privadas, mas não como funcionários públicos.

Que me desculpe o meu amigo guarda municipal, assim não dá.

terça-feira, 6 de abril de 2010

A chuva vence mais uma vez

Seria muito cômico se não fosse realidade. A chuva venceu mais uma vez. O alvo agora é o estado do Rio de Janeiro, chuva prevista para o mês inteiro desabou em um só dia, resultado: tragédia na cidade maravilhosa e molhada, muito molhada. O que não muda é o discurso, as pessoas tem que sair das áreas de risco, dizem as autoridades competentes (competentes??), vão às tvs e jornais pedir inclusive que as pessoas não saiam de casa pra não dar mais trabalho às equipes de resgate.

Mas pelo que pude assistir a população ajudou muito no resgate de vitimas. Mas minha intenção não é essa. Quero chamar a sua atenção para um fato que já já vai acontecer. A chuva vai passar, as pessoas vão voltar à vida normal, fará sol na cidade maravilhosa e as mortes serão apenas estatísticas mais uma vez. É sempre assim. Quem aí não se lembra da virada do ano em Angra dos Reis? Quantas pessoas perderam a vida, também em conseqüência das chuvas, e duvido se as pousadas, as belas casas foram demolidas dos locais de “risco”.

Não vai ser diferente, nada concreto é feito para amenizar a vida da população. Os morros, ou melhor, as comunidades, vão continuar lá com as casas à beira do penhasco, de barrancos de pedras. O governo não vai tomar nenhuma atitude. O prefeito vai falar, o secretário vai falar, os bombeiros vão falar, mas nada será feito, nunca é feito. Falta atitude e sobra aos que perderam seus entes queridos a dor, a lamentação e a duvida de não saber o que será do futuro. Essas pessoas vão morar em outro lugar com certeza. Mas as casas que desta vez ficaram de pé, os moradores não serão transferidos para locais mais seguros. É sempre assim.

Infelizmente também cabe ao cidadão ter um pouco mais de prudência ao decidir morar em locais perigosos e sabendo do risco, mesmo assim constrói sua casa. Muitas vezes por falta de opção. Comunidades não são criadas e populadas da noite pro dia, isso leva tempo, mas parece que nossos queridos gestores fazem vista grossa. Será por causa da cobrança de IPTU ou pra receber verbas mais gordas para a sua região? Não quero polemizar até por que quem sofre é o povão. Faltam obras que possam amenizar essas situações, falta segurança para que o cidadão não fique correndo risco de se afogar dentro do próprio carro na avenida, falta, faltam, falta... chega... Nada vai mudar mesmo... A chuva venceu mais uma vez.

Este ano tem eleição e seria ótimo o cidadão lembrar disso na hora do voto.